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Segunda-feira, 3 de agosto de 2026
ANO I — RIO DE JANEIRO Segunda-feira, 3 de agosto de 2026 EDIÇÃO ESPECIAL — HISTÓRIA
Ilustração Felipe Deveza
Professor Felipe Deveza

Repositório de História e Materiais Didáticos

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  • 03/08/2026

A INDEPENDÊNCIA DA AMÉRICA DO SUL

De Napoleão a Ayacucho: Bolívar, San Martín e os caminhos da liberdade

 

Em 1808, um imperador na Europa provocou uma reação em cadeia que terminaria libertando um continente inteiro do outro lado do Atlântico. Entre a prisão de um rei espanhol e a batalha final no Peru, dezesseis anos se passaram, dois generais dividiram o comando de um continente e uma pequena nação caribenha, formada por ex-escravizados, ajudou a decidir o destino de todos.

 

  1. A INVASÃO NAPOLEÔNICA

 

Em 1807, Napoleão Bonaparte fechou um acordo com o rei espanhol Carlos IV: as tropas francesas atravessariam a Espanha para invadir Portugal, aliado histórico da Inglaterra. Foi o Tratado de Fontainebleau. Carlos IV não imaginava que, ao abrir caminho para os franceses, estava também abrindo caminho para a queda do próprio trono.

Em março de 1808, um motim popular na cidade de Aranjuez forçou Carlos IV a abdicar em favor do filho, Fernando VII. Napoleão, porém, não reconheceu a manobra. Convocou pai e filho para uma reunião na cidade francesa de Bayona e obrigou os dois a renunciarem ao trono espanhol. Em maio de 1808, colocou o próprio irmão, José Bonaparte, no lugar de rei da Espanha.

A resposta popular veio na hora. Em Madri, moradores enfrentaram as tropas francesas nas ruas no episódio conhecido como o Dois de Maio, retratado décadas depois pelo pintor Francisco de Goya. A Espanha, de um momento para o outro, tinha um rei imposto por um exército estrangeiro e nenhum governo que os espanhóis reconhecessem como legítimo.

Francisco de Goya, O3 de Maio de 1808 em Madri (1814)

Fonte: Museu do Prado, Madri / Wikimedia Commons / domínio público

◆  ◆  ◆

  1. A FORMAÇÃO DAS JUNTAS

 

Diante da ausência de um rei legítimo, cidades espanholas como Sevilha e Cádiz formaram juntas de governo, que afirmavam comandar em nome de Fernando VII até que ele fosse libertado. A notícia da crise levou meses para chegar à América, mas, quando chegou, trouxe uma pergunta que ninguém sabia responder com certeza: se o rei estava preso, quem tinha o direito de governar em seu nome?

Os crioulos americanos encontraram uma resposta em ideias políticas antigas, reforçadas pelo Iluminismo: na ausência do rei, a soberania voltava ao povo, que podia formar seus próprios governos provisórios. Foi assim que, a partir de 1809, começaram a surgir juntas também na América, primeiro em Quito, Chuquisaca (atual Sucre, na Bolívia) e La Paz. Em 1810, o movimento se espalhou com força: Caracas em abril, Buenos Aires em maio, seguidas por Bogotá e Santiago do Chile.

No início, quase todas as juntas declaravam lealdade a Fernando VII. Na prática, porém, cada uma passou a governar de forma autônoma, decidindo sobre impostos, comércio e representação política, temas que antes eram proibidos de discutir.

AS TRÊS TENDÊNCIAS DAS JUNTAS

Dentro das juntas americanas, os crioulos se dividiram em três grupos. Um defendia obediência total às juntas espanholas. Outro aceitava Fernando VII como rei, mas queria autonomia para a América se governar sem depender da Espanha. Um terceiro grupo, minoritário no início, defendia a independência total, não importava quem estivesse no trono espanhol. Em 1815, o Congresso de Viena restaurou o absolutismo em toda a Europa, e Fernando VII voltou ao poder decidido a recuperar o controle total sobre as colônias. Foi esse retrocesso que fez a terceira posição, a da independência, se tornar majoritária.

◆  ◆  ◆

  1. SIMÓN BOLÍVAR

Bolívar nasceu em Caracas, em 1783, numa família crioula de grandes proprietários de terras e de pessoas escravizadas. Ainda jovem foi enviado à Europa, onde estudou e absorveu as ideias do Iluminismo. Em Roma, no Monte Sacro, fez um juramento que marcaria sua vida inteira: não descansaria até libertar a América espanhola do domínio colonial.

A formação do exército de Simón Bolívar foi um processo gradual e adaptável, construído a partir de diferentes grupos que se juntaram a ele por uma combinação de ideais, interesses pessoais e promessas de mudança. Inicialmente, sua força era composta por voluntários e soldados de Nova Granada (atual Colômbia), onde ele se refugiou após a queda da Primeira República da Venezuela. A esses, somaram-se patriotas venezuelanos exilados e, crucialmente, combatentes estrangeiros, como a Legião Britânica, composta por cerca de 6.500 soldados ingleses e irlandeses que chegaram a partir de 1818, muitos deles veteranos das guerras napoleônicas, recrutados com a promessa de soldo e terras . Contudo, a base popular de seu exército se ampliou quando, em 1816, com o apoio do presidente haitiano Alexandre Pétion, Bolívar decretou a libertação dos escravos que se alistassem em suas fileiras, atraindo milhares de negros e mulatos para a causa da independência

Em 1815, ainda exilado, Bolívar escreveu a Carta da Jamaica, documento em que defendia a formação de um governo único para toda a América espanhola.

📜 DOCUMENTO HISTÓRICO — Carta da Jamaica (1815)

“É uma ideia grandiosa pretender formar de todo o Novo Mundo uma única nação com um único vínculo que ligue as partes entre si com o todo. Já que tem uma só origem, uma só língua, mesmos costumes e uma só religião, deveria, por conseguinte, ter um só governo que confederasse os diferentes Estados que haverão de se formar.”

 

Na prática, porém, Bolívar desconfiava da democracia direta e defendia um poder central forte, com presidente vitalício e Senado hereditário, algo mais próximo de uma monarquia disfarçada de república do que de um governo popular.

◆  ◆  ◆

  1. JOSÉ DE SAN MARTÍN

 

San Martín nasceu em 1778, em Yapeyú, no atual território argentino. Ainda criança, mudou-se com a família para a Espanha, onde construiu carreira como oficial profissional do exército espanhol, chegando a lutar contra as tropas de Napoleão na Europa. Só em 1812 retornou à América, já convicto de que a independência era necessária.

Diferente de Bolívar, San Martín agiu com método. Passou dois anos, entre 1814 e 1816, organizando o Exército dos Andes na cidade de Mendoza, etapa que a próxima seção detalha.

Quanto ao projeto de governo, San Martín pensava diferente de Bolívar: acreditava que uma monarquia constitucional daria mais estabilidade às nações recém-nascidas, evitando o risco de desordem que via na experiência republicana.

Generais José de San Martín (esquerda) e Bernardo O’Higgins (direita) durante a travessia dos Andes.

Fonte: Museo Histórico y Militar de Chile, Santiago de Chile

◆  ◆  ◆

  1. AS BATALHAS DA INDEPENDÊNCIA

 

Fortalecido pelo apoio recebido no Haiti, Bolívar retomou a campanha militar. Atravessou a Cordilheira dos Andes à frente de um exército e, em 1819, venceu a Batalha de Boyacá, conquistando Bogotá. Proclamou então a Grã-Colômbia, união entre os atuais territórios da Venezuela, da Colômbia e do Equador, e tornou-se seu presidente.

Enquanto isso, San Martín cruzou os Andes em janeiro de 1817, em 21 dias, à frente de cerca de cinco mil homens, uma das travessias militares mais arriscadas da história americana. A vitória na Batalha de Chacabuco libertou o Chile, cuja independência foi proclamada por Bernardo O’Higgins em 1818. Em seguida, San Martín desembarcou no Peru e, em julho de 1821, declarou sua independência, assumindo o título de Protetor. A guerra, porém, estava longe do fim: os realistas ainda controlavam boa parte do interior peruano.

 

Rotas das campanhas de Bolívar e San Martín (1816-1824)

Em julho de 1822, Bolívar e San Martín se encontraram pessoalmente pela única vez, na cidade de Guayaquil. A reunião foi reservada, sem testemunhas e sem nenhuma ata oficial, o que transformou o episódio num dos mais comentados da história latino-americana.

O que se sabe vem de cartas escritas depois pelos próprios protagonistas. Bolívar descreveu o encontro como uma visita de pouco mais de um dia, em que os dois “se abraçaram, conversaram e se despediram”. San Martín, por sua vez, comentou que suas esperanças de reforço militar haviam sido frustradas, já que Bolívar só podia ceder cerca de 1.800 soldados, número insuficiente para a campanha final no Peru.

Depois de Guayaquil, San Martín tomou uma decisão que surpreendeu seus contemporâneos: renunciou ao comando, deixou o Peru e partiu para um exílio voluntário na Europa, onde viveria até morrer, em 1850, sem nunca mais voltar à política americana. Coube então a Bolívar e ao seu general Antônio José de Sucre concluir a libertação do Peru, o que aconteceu na Batalha de Ayacucho, em 1824. No ano seguinte, a independência se estendeu também à Bolívia, país batizado em homenagem a Bolívar.

💡 UMA RIVALIDADE QUE TALVEZ NÃO EXISTISSE

A historiografia mais antiga gostava de contar Guayaquil como uma disputa de egos entre os dois libertadores. Mas San Martín mantinha retratos de Bolívar em sua casa durante o exílio na França, e Bolívar, ao saber que um subordinado havia retirado um retrato de San Martín de um espaço público, ordenou que fosse recolocado. São gestos pequenos, mas que sugerem respeito mútuo, não inimizade.

 

◆  ◆  ◆

  1. A FORMAÇÃO DAS REPÚBLICAS E A FRAGMENTAÇÃO

 

Mesmo depois de libertar boa parte do continente, Bolívar seguia perseguindo seu projeto de uma América unida. Em 1826, organizou o Congresso do Panamá, reunião destinada a criar algum tipo de aliança entre os países recém-independentes. Compareceram apenas delegados da Grã-Colômbia, do Peru, do México e da recém-formada federação centro-americana. O Rio da Prata e o Chile recusaram o convite, e das potências estrangeiras chamadas como observadoras, só Grã-Bretanha e Países Baixos enviaram representantes.

O Congresso aprovou um tratado de união, mas o projeto de Bolívar naufragou. As elites de cada região preferiam controlar sozinhas a política e a economia de seus territórios a negociar com líderes de outras partes do continente, e as enormes distâncias geográficas entre as antigas colônias dificultavam qualquer união prática.

A própria Grã-Colômbia, criação mais concreta de Bolívar, não resistiu: dissolveu-se em 1830 nos atuais Venezuela, Colômbia e Equador. Bolívar morreu naquele mesmo ano, pobre e doente, na cidade colombiana de Santa Marta. Antes de morrer, teria dito que havia “arado no mar”, frase que resume o destino de seu projeto continental: um esforço imenso que não deixou fruto duradouro, mas que continuaria inspirando movimentos políticos latino-americanos ao longo dos dois séculos seguintes.

◆  ◆  ◆

  1. A QUESTÃO DA ESCRAVIDÃO E O PAPEL DO HAITI
Alexandre Pétion recebe Simón Bolívar no Haiti (c. 1816)

Voltemos a 1815. Derrotado e sem recursos depois de mais uma tentativa fracassada de libertar a Venezuela, Bolívar foi recebido no Haiti, primeira república independente das Américas formada por pessoas que haviam sido escravizadas. O presidente haitiano, Alexandre Pétion, ofereceu armas, dinheiro, navios e soldados para a campanha de Bolívar. A condição era clara: que ele libertasse as pessoas escravizadas nos territórios que viesse a conquistar.

Bolívar aceitou o trato e cumpriu parte dele. Em junho de 1816, já de volta à Venezuela, decretou a liberdade das pessoas escravizadas que se alistassem nas tropas patriotas. A medida atraiu milhares de combatentes e ajudou a virar o rumo da guerra, mas a abolição completa e definitiva demoraria décadas para se tornar lei nos novos países.

 

Nem tudo correu bem para quem lutou por essa promessa. O general Manuel Piar, um dos líderes negros mais importantes do exército patriota, foi acusado de traição e fuzilado em 1817, depois de mobilizar soldados afrodescendentes na região do Orinoco. Anos depois, quando Bolívar organizou o Congresso do Panamá, o Haiti sequer foi convidado: as demais nações temiam que reconhecer a primeira república negra das Américas servisse de exemplo perigoso para suas próprias populações escravizadas.

💡 O ALIADO QUE OS LIVROS ESQUECERAM

Durante muito tempo, o papel do Haiti na independência sul-americana quase não aparecia nos livros escolares, embora tenha sido decisivo para o sucesso da campanha de Bolívar. Reconhecer essa dívida significava admitir que a primeira república negra das Américas ajudou a libertar territórios que, depois de independentes, mantiveram a escravidão por muitas décadas ainda: o Brasil só aboliria formalmente em 1888.

 

CRONOLOGIA

 

1807 Tratado de Fontainebleau: Napoleão e Carlos IV combinam invadir Portugal juntos.
1808 Motim de Aranjuez: Carlos IV abdica em favor de Fernando VII (março). Abdicações de Bayona: os dois renunciam e José Bonaparte assume o trono (maio).
1808 Levante popular em Madri (Dois de Maio) e formação das primeiras juntas na Espanha.
1809 Primeiras juntas na América: Quito, Chuquisaca e La Paz.
1810 Juntas de Caracas (abril), Buenos Aires (maio), Bogotá e Santiago do Chile.
1813 Campanha Admirável de Bolívar na Venezuela.
1814-16 San Martín organiza o Exército dos Andes em Mendoza.
1815 Congresso de Viena restaura o absolutismo na Europa; Bolívar escreve a Carta da Jamaica, exilado.
1815-16 Bolívar recebe apoio de Alexandre Pétion no Haiti.
1816 Bolívar decreta a liberdade das pessoas escravizadas que se juntassem às tropas patriotas.
1817 San Martín cruza os Andes (janeiro) e vence a Batalha de Chacabuco (fevereiro).
1817 Execução do general Manuel Piar.
1818 Independência do Chile, proclamada por Bernardo O’Higgins.
1819 Batalha de Boyacá; Bolívar funda a Grã-Colômbia.
1821 San Martín proclama a independência do Peru e assume o título de Protetor.
1822 Bolívar e San Martín se encontram em Guayaquil; San Martín renuncia ao comando.
1824 Batalha de Ayacucho: vitória definitiva das forças patriotas no Peru.
1825 Independência da Bolívia, país batizado em homenagem a Bolívar.
1826 Fracassa o Congresso do Panamá, convocado por Bolívar; o Haiti não é convidado.
1830 Dissolução da Grã-Colômbia e morte de Simón Bolívar.
1850 Morte de José de San Martín, em exílio voluntário na França.

 

BIOGRAFIAS

 

Simón Bolívar (1783-1830)

Nascido em Caracas em uma família crioula proprietária de terras e de pessoas escravizadas, Bolívar estudou na Europa, onde absorveu as ideias do Iluminismo. Liderou as campanhas militares que libertaram a Venezuela, a Nova Granada e o Equador, fundando a efêmera Grã-Colômbia. Defensor de um projeto de unidade continental, viu seu sonho fragmentar-se ainda em vida e morreu pobre e doente em 1830, na cidade colombiana de Santa Marta.

José de San Martín (1778-1850)

Nascido em Yapeyú, no território que hoje é a Argentina, San Martín serviu por décadas no exército espanhol antes de retornar à América para liderar a independência do Rio da Prata, do Chile e do Peru. Diferente de Bolívar, evitou disputas pelo poder político depois da vitória militar: renunciou ao comando após o encontro de Guayaquil e passou os últimos anos de vida em exílio voluntário na França.

Alexandre Pétion (1770-1818)

Presidente do Haiti entre 1807 e 1818, Pétion governava a primeira república independente formada por ex-escravizados nas Américas, cercada de hostilidade pelas potências escravistas da época. Foi ele quem, em 1815 e 1816, ofereceu a Bolívar os recursos militares que reergueram a campanha de independência sul-americana, em troca do compromisso de libertar as pessoas escravizadas que se juntassem à luta.

 

 

FILMOGRAFIA

 

O professor indica: Libertador (2013), dirigido por Alberto Arvelo, com Édgar Ramírez no papel de Simón Bolívar. Coprodução Venezuela-Espanha que acompanha a trajetória de Bolívar desde a juventude até a fundação da Grã-Colômbia. Indicado pela Venezuela ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015.

O professor indica: Revolución: El cruce de los Andes (2010), dirigido por Leandro Ipiña, com Rodrigo de la Serna no papel de José de San Martín. Produção argentina que reconstrói a travessia dos Andes de 1817 pelo olhar de um jovem secretário do general.

VÍDEOS

 

O professor indica: o acervo do Canal Encuentro (Argentina), canal público de conteúdo educativo, traz materiais em vídeo sobre San Martín e a campanha dos Andes, disponíveis gratuitamente em seu site oficial.

O professor indica: documentários produzidos por universidades venezuelanas e colombianas sobre a vida de Bolívar costumam estar disponíveis nos canais oficiais dessas instituições, com boa base acadêmica para complementar a aula.

 

PARA IR MAIS FUNDO

LYNCH, John. As Revoluções Hispano-Americanas, 1808-1826. Obra clássica sobre o processo de independência, com atenção especial às trajetórias militares e políticas de Bolívar e San Martín.

HALPERIN DONGHI, Tulio. Reforma y disolución de los imperios ibéricos, 1750-1850. Estudo de referência sobre a crise dos impérios espanhol e português e suas consequências políticas na América.

GUERRA, François-Xavier. Modernidad e Independencias: ensayos sobre las revoluciones hispánicas. Análise influente sobre o caráter revolucionário e moderno dos processos de independência hispano-americanos, a partir da crise de 1808.

PORTILLO VALDÉS, José María. “Crisis e independencias: España y su monarquía”, in Historia Mexicana, vol. LVIII, 2008. Artigo que detalha a formação das juntas e o impasse representativo nas Cortes de Cádiz.

FERRER, Ada. Freedom’s Mirror: Cuba and Haiti in the Age of Revolution. Cambridge University Press, 2014. Estudo de referência sobre o papel do Haiti revolucionário nas lutas de independência e abolição em toda a América.

 

PARA SABER MAIS

💡 O PREÇO HUMANO DA GUERRA

Bolívar chegou a relatar que cerca de um quarto da população da Venezuela morreu durante a guerra de independência, seja em combate, seja de fome ou epidemias. A independência não foi um processo pacífico de discursos e assinaturas: foi também uma guerra civil sangrenta, em que famílias e vizinhos se dividiram entre realistas e patriotas.

 

💡 UM PAÍS COM NOME DE PESSOA

A Bolívia é um dos poucos países do mundo batizados diretamente em homenagem a uma pessoa real. O nome foi escolhido em 1825 pelo Congresso local como forma de agradecer a Bolívar pela libertação do território, que antes fazia parte do Alto Peru.

 

GALERIA DE CADERNOS

 

📓 Linha do tempo ilustrada

Desenhe uma linha do tempo de 1807 a 1830 com pelo menos oito marcos e um pequeno ícone para cada um.

📓 Quadro comparativo

Monte uma tabela comparando os projetos políticos de Bolívar e San Martín: forma de governo, visão sobre o povo, destino final de cada um.

📓 Carta a Pétion

Escreva, no lugar de Bolívar, uma carta de agradecimento a Alexandre Pétion depois da vitória em Boyacá.

📓 Mapa das campanhas

Desenhe um mapa simples da América do Sul marcando as rotas de Bolívar e de San Martín até o encontro no Peru.

📓 Reportagem de Guayaquil

Imagine que você é jornalista em 1822 e escreva uma nota curta sobre o encontro secreto entre os dois libertadores.

📓 Verbete de dicionário

Escreva um verbete de enciclopédia para o “Congresso do Panamá (1826)”, explicando o que foi e por que fracassou.

 

QUESTÕES

 

  1. Múltipla escolha

 

A1.

O que aconteceu em Bayona, em maio de 1808?

  • (a) Fernando VII foi coroado rei da Espanha.
  • (b) Napoleão forçou Carlos IV e Fernando VII a abdicarem, colocando José Bonaparte no trono.
  • (c) As juntas americanas declararam independência total.
  • (d) O Congresso de Viena restaurou o absolutismo na Espanha.

 

A2.

Segundo o texto, qual foi a pergunta política central levantada pela crise de 1808 na América espanhola?

  • (a) Como aumentar o comércio com a Inglaterra?
  • (b) Se o rei estava preso por um invasor estrangeiro, quem tinha o direito de governar em seu nome?
  • (c) Como abolir a escravidão em toda a América?
  • (d) Quem deveria suceder Napoleão Bonaparte?

 

A3.

O projeto político de Simón Bolívar, expresso na Carta da Jamaica, defendia:

  • (a) A manutenção do domínio espanhol na América.
  • (b) Uma monarquia constitucional para toda a América.
  • (c) Um governo único e centralizado que unisse toda a América espanhola.
  • (d) A divisão da América em pequenas cidades-estado independentes.

 

A4.

Qual foi a condição colocada por Alexandre Pétion para apoiar a campanha de Bolívar em 1815?

  • (a) Que Bolívar reconhecesse a independência do Haiti perante a Espanha.
  • (b) Que Bolívar libertasse as pessoas escravizadas nos territórios que viesse a conquistar.
  • (c) Que Bolívar convidasse o Haiti para o Congresso do Panamá.
  • (d) Que Bolívar pagasse em ouro pelas armas recebidas.

 

A5.

Por que o Congresso do Panamá (1826) fracassou como projeto de união continental?

  • (a) Porque a Espanha invadiu o Panamá durante a reunião.
  • (b) Porque nenhum país aceitou enviar delegados.
  • (c) Porque as elites regionais preferiam controlar sozinhas seus territórios, e as distâncias geográficas dificultavam a união.
  • (d) Porque Bolívar morreu antes do Congresso começar.

 

  1. Discursivas

 

B1.

Explique, com suas palavras, por que a prisão de Fernando VII gerou uma crise de legitimidade tanto na Espanha quanto na América.

B2.

Compare os projetos políticos de Bolívar e San Martín para a América independente. Em que eles concordavam e em que discordavam?

B3.

Descreva o encontro de Guayaquil e explique por que ele é considerado um dos episódios mais incertos da história latino-americana.

B4.

Explique o papel do Haiti e de Alexandre Pétion na campanha de Bolívar. Por que esse episódio costuma ser pouco lembrado nos livros escolares?

B5.

Por que o sonho de uma América do Sul unida, defendido por Bolívar, não se realizou?

 

 

GABARITO

 

A1 B José Bonaparte foi colocado no trono espanhol depois que Napoleão forçou Carlos IV e Fernando VII a abdicarem, em Bayona, maio de 1808.
A2 B A prisão de Fernando VII abriu a chamada crise de legitimidade: sem rei reconhecido, discutia-se quem tinha o direito de governar em seu nome.
A3 C Na Carta da Jamaica (1815), Bolívar defendia um governo único, centralizado, para toda a América espanhola recém-libertada.
A4 B Pétion condicionou seu apoio militar e financeiro ao compromisso de Bolívar de libertar as pessoas escravizadas nos territórios conquistados.
A5 C O fracasso do Congresso do Panamá se deveu à preferência das elites regionais por controlar sozinhas seus territórios e às grandes distâncias geográficas entre as antigas colônias.

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