O Império em crise: Reformas Bourbônicas, Tupac Amaru II e a invasão napoleônica da Península Ibérica
Em 1780, um líder indígena do Peru desafiou o maior império do mundo e foi executado em praça pública diante de milhares de pessoas. Em 1808, um general francês prendeu o rei da Espanha e abriu caminho para que dezoito países nascessem na América.
O MAIOR IMPÉRIO DO MUNDO OCIDENTAL
No início do século XIX, o Império Espanhol nas Américas se estendia do sudoeste dos atuais Estados Unidos até a Patagônia, passando pelo Caribe, pela América Central e por toda a América do Sul, com exceção do Brasil português. Era o maior conjunto colonial do mundo ocidental, organizado em quatro vice-reinados: Nova Espanha (México e América Central), Nova Granada (Colômbia, Venezuela e Equador), Peru (Peru e Chile) e Rio da Prata (Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia).
Cada vice-reinado era governado por um vice-rei nomeado pela coroa espanhola, com sede em Madri. Abaixo dos vice-reis, capitães-gerais, intendentes e alcaides-maiores controlavam territórios menores. As câmaras municipais, chamadas cabildos, eram o único espaço de participação política acessível aos crioulos, descendentes de espanhóis nascidos na América.
Mapa dos Vice-reinados Espanhóis nas Américas (c. 1800)
A sociedade colonial era organizada por um sistema de castas que definia juridicamente as possibilidades de cada grupo. No topo estavam os peninsulares, também chamados de chapetones, espanhóis nascidos na Península Ibérica que ocupavam os cargos mais altos do governo, da Igreja e do Exército. O termo chapetone era pejorativo e se referia a esses espanhóis recém-chegados, frequentemente vistos como arrogantes e inexperientes nas realidades americanas. Logo abaixo vinham os crioulos, que apesar de serem descendentes de espanhóis, nasciam na América e por isso eram sistematicamente preteridos nos cargos de maior prestígio. Mestiços (filhos de europeus e indígenas), mulatos (filhos de europeus e africanos), zambos (filhos de indígenas e africanos), indígenas e pessoas negras escravizadas completavam a pirâmide social, com direitos cada vez menores conforme se descia na hierarquia.
2 Fonte: Mäder, Maria Elisa, Revista de História, n. 159, USP, 2008.
AS REFORMAS BOURBÔNICAS: QUANDO A MODERNIZAÇÃO IRRITOU TODO MUNDO
Ao longo do século XVIII, a Espanha passou por um processo de modernização administrativa sob a dinastia dos Bourbons, especialmente durante o reinado de Carlos III (1759-1788) e de seu filho Carlos IV (1788-1808). Essas mudanças, conhecidas como Reformas Bourbônicas, tinham um objetivo claro: aumentar a arrecadação fiscal, centralizar o controle sobre as colônias e reduzir a influência dos crioulos na administração colonial.
As principais medidas foram a criação de novos impostos e monopólios sobre produtos como fumo, bebidas alcoólicas, pólvora e sal; a substituição de crioulos por peninsulares nos cargos administrativos; a liberalização parcial do comércio, permitindo que mais portos espanhóis negociassem diretamente com as colônias; e a expulsão dos jesuítas em 1767, que controlavam grandes redes educacionais e produtivas no continente. Em 1778, foi abolido o Sistema de Porto Único, abrindo o comércio colonial a vinte portos da Espanha.
O resultado foi contraditório. As reformas modernizaram a administração, mas irritaram quase todos os grupos sociais das colônias. Os crioulos perderam posições políticas para os peninsulares e viram seus interesses comerciais limitados pelos novos monopólios. Os comerciantes locais sofreram com a concorrência das mercadorias espanholas. As populações indígenas e mestiças tiveram seus impostos aumentados e a pressão sobre o trabalho compulsório intensificada. As reformas revelaram a quebra do pacto colonial espanhol: a metrópole queria extrair mais sem oferecer mais.
Para além da economia, as reformas estimularam o pensamento político crítico entre os crioulos letrados. Influenciados pelo Iluminismo francês e inglês, um número crescente de intelectuais coloniais passou a questionar a legitimidade do domínio espanhol. A Independência dos Estados Unidos (1776), a Revolução Francesa (1789) e os escritos de Rousseau, Voltaire e Montesquieu circulavam clandestinamente nas colônias e alimentavam o debate sobre soberania popular e direitos naturais.
TUPAC AMARU II: A REBELIÃO QUE ASSUSTOU OS PODEROSOS
Antes de qualquer crioulo falar em independência, foram as populações indígenas que levantaram a voz de forma mais contundente contra o domínio espanhol. A rebelião liderada por José Gabriel Condorcanqui, que adotou o nome de Tupac Amaru II em homenagem ao último imperador inca, foi a maior insurreição colonial do século XVIII nas Américas.
José Gabriel nasceu em cerca de 1742 na província de Tinta, no Vice-reinado do Peru. Descendente da nobreza inca, recebeu educação esmerada e chegou a estudar no Colégio de São Francisco de Borja, em Cuzco, instituição reservada aos filhos da elite indígena. Como curaca, exercia a liderança de vários pueblos e era responsável por mediar as relações entre os súditos indígenas e as autoridades coloniais.
O ponto de ruptura veio após anos de tentativas fracassadas de negociação. José Gabriel havia solicitado às autoridades espanholas o fim da mita nas minas de Potosí (atual Bolívia), descrevendo detalhadamente as condições desumanas: longas caminhadas de meses de duração, doenças, acidentes letais nas minas de prata. As autoridades negaram todos os seus pedidos. Em novembro de 1780, José Gabriel tomou a decisão de se rebelar e adotou o nome de Tupac Amaru II, declarando-se herdeiro legítimo do Império Inca e libertador de seu povo.
Tupac Amaru e Miacaela Bastidas lideram o levante camponês e indígena contra o domínio espanhol.
A rebelião começou com a captura e execução de Antonio Arriaga, corregedor da província de Tinta e responsável direto pelos abusos contra os mitayos. O movimento se alastrou rapidamente pelo altiplano andino, mobilizando indígenas, mestiços e pessoas negras escravizadas. Nos meses seguintes, os rebeldes obtiveram diversas vitórias contra as forças realistas, chegando a cercar a cidade de Cuzco. A mobilização atingiu dezenas de milhares de pessoas e se expandiu para territórios do que hoje são o Peru, a Bolívia e o norte da Argentina.
A resposta espanhola foi brutal. Reforços militares foram enviados da própria Espanha. Em maio de 1781, Tupac Amaru II foi capturado. O julgamento foi sumário e a sentença, calculada para aterrorizar: na praça central de Cuzco, ele foi forçado a assistir à execução de sua esposa Micaela Bastidas e de seus filhos. Micaela não era apenas esposa: ela foi estrategista central e comandante operacional da rebelião, responsável pela organização das tropas e pelo abastecimento das forças rebeldes durante o cerco de Cuzco. Sem ela, o movimento dificilmente teria avançado tanto. Em seguida, tentaram esquartejá-lo amarrando seus membros a quatro cavalos em direções opostas. Quando isso falhou, foi decapitado. Seu corpo foi esquartejado e suas partes distribuídas pelas províncias como aviso.

| O MITO QUE SOBREVIVEU À EXECUÇÃO
Após a morte de Tupac Amaru II, sua cabeça foi exposta no pelourinho de Cuzco. Relatos da época contam que indígenas se aproximavam à noite para venerar a cabeça e deixar oferendas. Correram rumores de que seus traços ficavam mais belos a cada dia. As autoridades espanholas, alarmadas, ordenaram que a cabeça fosse enterrada com o corpo. A crença de que o Inca ressuscitaria a partir de sua cabeça foi registrada por historiadores e sobrevive como símbolo de resistência até hoje. Fonte: Bernard, Carmen. História do Novo Mundo: as mestiçagens. São Paulo: Edusp, 2006. |
O efeito político da rebelião foi paradoxal. A Espanha intensificou a repressão e aboliu os curacazgos, eliminando a liderança indígena tradicional. Entre os crioulos, a revolta produziu um medo duradouro: se a independência significasse mobilizar as massas indígenas e mestiças, o resultado poderia ser uma revolução social que os destruiria junto com os espanhóis. Por isso, quando os crioulos eventualmente conduziram as independências, fizeram-no com cuidado para não despertar outra Tupac Amaru.
A REVOLTA DOS COMUNEROS (NOVA GRANADA, 1781)
Quase ao mesmo tempo que Tupac Amaru II levantava o altiplano andino, outro grande movimento popular sacudia o Vice-reinado de Nova Granada, no atual território da atual Colômbia. A Revolta dos Comuneros de 1781 reuniu crioulos, mestiços e indígenas contra os novos definidos a partir das Reformas Bourbônicas, especialmente o aumento do imposto sobre aguardente e a criação do monopólio do tabaco.
Diferente da rebelião de Tupac Amaru II, o movimento neogranadino foi liderado principalmente por crioulos e mestiços com reivindicações mais focadas nos direitos fiscais e comerciais. Ainda assim, a participação indígena foi significativa e a dimensão social do conflito apavorou as elites locais. A revolta foi negociada, não esmagada militarmente: as autoridades coloniais assinaram acordos com os líderes, mas depois os desrespeitaram. O principal líder popular, José Antonio Galán, foi executado em 1782. Assim como a rebelião andina, a Revolta dos Comuneros demonstrou que havia insatisfação entre setores das elites americanas e amplas populações. As Reformas Bourbônicas tinham criado uma crise de legitimidade que atravessava todo o continente.
A INVASÃO NAPOLEÔNICA E AS JUNTAS: O MUNDO VIROU DE CABEÇA PARA BAIXO
Em outubro de 1807, Napoleão Bonaparte e o rei Carlos IV assinaram o Tratado de Fontainebleau, que previa a invasão conjunta de Portugal. O que Carlos IV não percebeu foi que estava assinando também sua própria derrubada. Enquanto as tropas francesas cruzavam a Espanha em direção a Portugal, Napoleão foi gradualmente tomando o controle do território espanhol.
Em março de 1808, levantes populares em Aranjuez forçaram Carlos IV a abdicar em favor de seu filho Fernando VII. Napoleão, no entanto, convocou pai e filho para uma reunião em Bayona, na França, e forçou os dois a abdicarem em favor de José Bonaparte, seu irmão. A Espanha estava, de um momento para o outro, sem seu rei legítimo.
GOYA, Francisco de. El 3 de mayo en Madrid. 1814. 1 original de arte, óleo sobre tela, 268 cm x 347 cm. Madrid: Museu Nacional del Prado. Disponível em: https://www.museodelprado.es. O quadro retrata a execução de civis espanhóis pelas tropas francesas de Napoleão, na madrugada do dia 3 de maio de 1808, como represália ao levante popular do dia anterior (imortalizado na obra O 2 de maio de 1808 ou A Carga dos Mamelucos). Goya pintou a tela em 1814, após a expulsão dos franceses, a pedido do governo provisório. A obra revolucionou a pintura de guerra ao dar protagonismo a um herói anônimo — o homem de camisa branca com os braços erguidos em forma de cruz — enquanto os algozes franceses aparecem sem rosto, como uma massa impessoal. É considerada um dos primeiros quadros da arte contemporânea e influenciou diretamente obras como Guernica, de Picasso
Na Espanha, a reação foi imediata: juntas de resistência se formaram em Sevilha, Cádiz e outras cidades, declarando-se governos legítimos em nome de Fernando VII. A Junta Central de Sevilha chegou a enviar representantes às colônias pedindo lealdade. Na América, a notícia chegou com poucos meses de atraso e produziu uma crise de legitimidade de dimensões históricas.
A questão política que se colocou foi direta e devastadora: se o rei estava preso por um invasor estrangeiro, onde estava a soberania? A resposta que os crioulos elaboraram, apoiando-se nas teorias contratualistas medievais e iluministas, foi que a soberania retornava ao povo até que um governo legítimo fosse restabelecido. Isso abria caminho para a formação de juntas nas próprias colônias, tal como estava acontecendo na Espanha.
A partir de 1809, juntas começaram a se formar nas cidades americanas: Quito, Chuquisaca (atual Sucre), La Paz. Em 1810, o movimento se acelerou: Buenos Aires (25 de maio), Caracas (19 de abril), Bogotá e Santiago do Chile. No México, o padre Hidalgo lançaria seu grito no dia 16 de setembro. As juntas inicialmente declaravam fidelidade a Fernando VII, mas a lógica política as empurrava progressivamente em direção à independência total.
O historiador François-Xavier Guerra demonstrou que esse processo não foi uma simples explosão de nacionalismo crioulo pré-formado, mas uma crise de toda a monarquia hispânica como sistema político integrado. As juntas na América respondiam às juntas na Espanha com a mesma lógica: governar em nome do rei ausente. A diferença é que, na América, esse argumento eventualmente se tornou desnecessário.
| AS TRÊS TENDÊNCIAS DAS JUNTAS
Quando as juntas se formaram na América, os crioulos se dividiram em três posições políticas. A primeira defendia fidelidade total a Fernando VII e obediência às juntas espanholas. A segunda reconhecia Fernando VII como rei legítimo, mas reivindicava autonomia administrativa em relação à Junta de Cádiz. A terceira, minoritária no início, propunha independência definitiva da Espanha, independentemente de quem governasse lá. Com o Congresso de Viena (1815) e a restauração do absolutismo europeu, essa terceira tendência tornou-se majoritária. Fonte: Praxis-USP, Material Didático Público, 2021. |
DOCUMENTOS HISTÓRICOS
Leia com atenção os documentos abaixo. Eles foram escritos por pessoas que viveram os eventos que você está estudando.
| DOCUMENTO HISTORICO — Informe oficial de um funcionário da Coroa Espanhola sobre a execução de Tupac Amaru II. Arquivo Geral das Índias, Sevilha, Espanha. (Autos do processo judicial, 1781)
“Ataram-lhe às mãos e pés quatro cordas e prenderam-nos ao dorso de quatro cavalos (…). Não sei se porque os cavalos não fossem muito fortes, ou o índio, em realidade, fosse de ferro, não puderam absolutamente dividi-lo, depois de um interminável momento em que o mantiveram puxando, de modo que o tinham no ar, num estado em que aprecia uma aranha. Tanto que o visitador, movido de compaixão, para que não padecesse mais aquele infeliz, despachou uma ordem mandando que o carrasco cortasse sua cabeça, como se executou (…) Desse modo, acabaram José Gabriel Tupac Amaru e Micaela Bastidas. (…)”
“Sucedem algumas coisas que parece que o diabo as trama e dispõe, para confirmar os índios em seus presságios e superstições. Digo isto porque, tendo feito um tempo muito seco, e dias muito serenos, aquele amanheceu tão nublado que não se viu a cara do sol, ameaçando chover em todas as partes; e, à hora das doze, em que estavam os cavalos estirando o índio, levantou um tremendo vendaval, e atrás dele um aguaceiro que fez com que toda a gente, e ainda os guardas, se retirasse a toda pressa. Isto levou os índios a dizer que o céu e os elementos sentiram a morte do Inca, que os espanhóis inumanos e ímpios estavam matando com tanta crueldade.”
(RESENDE, Maria Angélica Campos; BICALHO, Kátia Gerab. A Rebelião de Tupac Amaru: luta e resistência no Peru do século XVIII. São Paulo: Editora Brasiliense, 1987. p. 40-41.) |
Perguntas sobre o documento:
- O documento descreve uma tentativa de executar Tupac Amaru II usando quatro cavalos. O que aconteceu durante essa tentativa? E por que o Visitador (autoridade espanhola) ordenou que o carrasco cortasse a cabeça dele?
- O relato foi escrito por um funcionário da Coroa Espanhola, ou seja, alguém do lado dos colonizadores. Mesmo assim, ele chama Tupac Amaru de “índio de ferro” e diz que sentiu “compaixão” por ele. Na sua opinião, esse autor estava realmente com pena do líder indígena ou ele tinha outros interesses ao escrever isso? Justifique com um trecho do texto.
- Como o autor espanhol explica essa tempestade? (O que ele acha que aconteceu?)
- Por que os indígenas tiveram uma interpretação diferente da dos espanhóis?
| DOCUMENTO HISTORICO — Ordenança de Carlos III sobre o Trabalho Compulsório nas Minas (c. 1770)
Determina-se que os indígenas das províncias sejam compelidos ao trabalho nas minas na proporção de um sétimo de sua população, por períodos de quatro meses, recebendo salário fixado pelo corregedor. Os curacas respondem pelo envio dos contingentes sob pena de multa e privação do cargo. |
Perguntas sobre o documento:
- O que é a mita descrita nesta ordenança? Como ela funcionava na prática?
- Qual era o papel dos curacas dentro desse sistema? Por que Tupac Amaru II, sendo curaca, se rebelou contra ele
CRONOLOGIA
| ANO |
EVENTO |
| 1492 |
Chegada de Colombo às Américas. Início da colonização espanhola. |
| 1532–1535 |
Conquista do Império Inca por Francisco Pizarro. Execução do último Inca, Atahualpa. |
| 1542 |
Criação do Vice-reinado do Peru, o primeiro nas Américas. |
| 1713 |
Tratado de Utrecht: a Inglaterra obtém o direito ao asiento (fornecimento de escravizados às colônias espanholas) e ao permisso (comércio direto com as colônias). |
| 1759 |
Carlos III assume o trono espanhol. Início do período mais intenso das Reformas Bourbônicas. |
| 1767 |
Expulsão dos jesuítas de todos os domínios espanhóis. Centenas de escolas e missões são fechadas ou transferidas. |
| 1776 |
Independência dos Estados Unidos. Primeira república moderna do mundo inspira crioulos latino-americanos. |
| 1778 |
Carlos III aboliu o Sistema de Porto Único: vinte portos espanhóis passam a comerciar com as colônias. |
| 1780–1781 |
Rebelião de Tupac Amaru II no altiplano andino. Maior insurreição colonial do século XVIII. |
| 1781 |
Execução de Tupac Amaru II e de sua família na praça central de Cuzco. Revolta dos Comuneros em Nova Granada. |
| 1782 |
Execução de José Antonio Galán, líder popular da Revolta dos Comuneros. |
| 1788 |
Morte de Carlos III. Carlos IV assume o trono espanhol. |
| 1789 |
Revolução Francesa. Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão circula clandestinamente nas colônias. |
| 1804 |
Independência do Haiti: primeira república negra das Américas. Impacto duplo nas Américas: inspiração e medo. |
| 1807 |
Tratado de Fontainebleau: Napoleão e Carlos IV planejam invadir Portugal. A Corte portuguesa foge para o Brasil. |
| 1808 |
Invasão napoleônica da Espanha. Prisão de Fernando VII. José Bonaparte assume o trono espanhol. |
| 1809 |
Primeiras Juntas nas colônias: Quito (agosto) e Chuquisaca (maio). A crise de legitimidade chega à América. |
| 1810 |
Juntas se formam em Buenos Aires (25 mai), Caracas (19 abr), Bogotá e Santiago. Grito de Dolores no México (16 set). |
| 1812 |
Constituição de Cádiz: a Junta espanhola promulga constituição liberal. Crioulos participam das Cortes de Cádiz. |
| 1814–1815 |
Derrota de Napoleão. Congresso de Viena restaura o absolutismo na Europa. Fernando VII retoma o trono. |
| 1816 |
Congresso de Tucumán: declaração de independência das Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina). |
QUEM FOI QUEM
Tupac Amaru II (c. 1742–1781)
José Gabriel Condorcanqui nasceu por volta de 1742 em Tinta, no Vice-reinado do Peru, filho de família de nobreza indígena que reivindicava descender dos imperadores incas. Estudou no Colégio de São Francisco de Borja em Cuzco, uma das poucas instituições que aceitava filhos da elite indígena, onde aprendeu latim, filosofia e direito canônico. Assumiu o curacazgo de seus ancestrais e tentou por anos, pelas vias legais, obter o reconhecimento oficial de sua ascendência inca e o fim da mita. Ao mudar seu nome para Tupac Amaru II, em homenagem ao último imperador inca executado pelos espanhóis em 1572, anunciava que sua revolta era também uma restauração. A brutalidade de sua execução, calculada para destruir qualquer símbolo de resistência, produziu o efeito oposto: transformou-o em mártir e em símbolo vivo até hoje.
Micaela Bastidas Puyucahua (1745–1781)
Micaela Bastidas Puyucahua nasceu em 1745 em Pampamarca, no Peru, filha de família mestiça. Casou-se com José Gabriel Condorcanqui e tornou-se, na rebelião de 1780-1781, muito mais do que a esposa do líder. Ela foi a estrategista operacional do movimento: coordenava o abastecimento das tropas, ordenava ataques, cobrava decisões do próprio Tupac Amaru II quando ele hesitava, e escrevia cartas aos aliados em toda a região andina. Em uma carta que chegou até nós, ela repreende o marido por não atacar Cuzco com mais rapidez, dizendo que a demora estava custando a rebelião. Micaela foi capturada junto com José Gabriel e executada na praça de Cuzco em maio de 1781. Sua liderança e sua morte tornaram-na símbolo histórico das mulheres como protagonistas, não apenas como vítimas, dos processos históricos.
Carlos III (1716–1788)
Carlos III foi rei da Espanha de 1759 a 1788 e é considerado o monarca mais modernizador da dinastia Bourbon. Antes de ser rei espanhol, governou o Reino de Nápoles por 25 anos, onde desenvolveu uma visão pragmática da administração pública. Ao assumir o trono espanhol, encontrou um império em declínio e uma administração colonial repleta de privilégios locais e corrupção. Suas reformas buscavam racionalizar a burocracia, aumentar a arrecadação e centralizar o poder. Expulsou os jesuítas de todos os domínios espanhóis em 1767, considerando-os um poder paralelo ao Estado. Paradoxalmente, ao tentar modernizar o império, acelerou sua dissolução: as reformas irritaram crioulos, indígenas e comerciantes ao mesmo tempo, unindo grupos que de outra forma dificilmente se uniriam.
Napoleão Bonaparte (1769–1821)
Napoleão Bonaparte nasceu em Ajaccio, na ilha da Córsega, em 1769, um ano após a ilha ser comprada pela França da Gênova. Militar brilhante, ascendeu durante a Revolução Francesa e se tornou imperador dos franceses em 1804. Sua obsessão com o domínio europeu levou-o a subjugar reis e reinos por toda a Europa. Ao prender o rei espanhol em 1808 e colocar seu irmão José no trono, Napoleão pretendia garantir o controle estratégico da Península Ibérica e seus portos. O que não calculou foi que a crise de legitimidade gerada por esse ato produziria, nas colônias americanas, um processo irreversível de autonomia política. Sem querer, ao tentar controlar a Espanha, Napoleão deu o estopim para a independência de dezoito países americanos.
Fernando VII (1784–1833) 
Fernando VII foi rei da Espanha em dois períodos: brevemente em 1808, antes de ser preso por Napoleão, e de 1814 a 1833, após a derrota francesa. Sua prisão em Bayona foi o gatilho imediato para a formação das Juntas Governativas tanto na Espanha quanto nas colônias americanas. Ao retornar ao poder em 1814, aboliu a Constituição de Cádiz e restaurou o absolutismo, recusando-se a negociar com os movimentos autonomistas americanos. Enviou expedições militares para reconquistar as colônias e chegou a solicitar o apoio da Santa Aliança europeia para sufocar as independências. Sua intransigência acelerou a ruptura definitiva. Em 1820, um levante liberal na Espanha forçou-o a aceitar novamente a Constituição de Cádiz, mas o dano com as colônias era irreparável. Morreu em 1833, sem ter reconhecido nenhuma das independências americanas
O professor indica:
Filmes:
GARCÍA H., Federico. Túpac Amaru (El Último Inca). Peru/Cuba: Pilar Roca P., 1984. 1 filme (100 min), 35 mm, color., son. Disponível em: acervos cinematográficos.
Filmado nos mesmos lugares onde a revolta realmente aconteceu, como a região de Cusco, o longa mostra a luta heroica de Túpac Amaru ao lado de sua família e de um exército de guerrilheiros indígenas. Apesar de saber que as forças espanholas eram muito mais poderosas, ele lutou bravamente pela liberdade de seu povo. O filme termina com a sua captura e morte violenta na praça principal de Cusco, mas mostra que seu exemplo de coragem se tornou um símbolo de resistência para toda a América Latina
https://www.youtube.com/watch?v=U04mEqZytxU
SAURA, Carlos, diretor. Goya en Burdeos. Espanha; Itália: Lolafilms; Italian International Film, 1999. 1 DVD (107 min), son., color.
O filme se passa em 1828, quando o pintor Francisco de Goya (interpretado por Francisco Rabal) está nos últimos anos de vida, exilado voluntariamente em Bordeaux, na França, após um período de intensas convulsões políticas na Espanha. Velho, completamente surdo e doente, Goya recorda os episódios marcantes de sua trajetória enquanto dialoga com a própria memória e com sua filha mais nova, Rosario.
Série de televisão:
LOS OTROS LIBERTADORES. Produção: Latina Televisión. Peru: 2021. 1 série (minissérie)
A minissérie peruana “Los Otros Libertadores” (2021) narra a história de heróis anônimos da independência do Peru, como María Parado de Bellido e José Olaya, destacando suas lutas e sacrifícios ao lado de figuras menos conhecidas, em contraponto aos líderes oficiais da emancipação hispano-americana.
Livros e artigos:
LEWIN, Boleslao. La rebelión de Túpac Amaru y los orígenes de la emancipación americana. Buenos Aires: Hachette, 1957.
SERULNIKOV, Sergio. Revolución en los Andes: la era de Tupac Amaru. Buenos Aires: Sudamericana, 2010.
WALKER, Charles. A rebelião de Túpac Amaru continua viva. Tradução de César Locatelli. Jacobin Brasil, São Paulo, 4 nov. 2021. Disponível em: https://jacobin.com.br/2021/11/a-rebeliao-de-tupac-amaru-continua-viva/. Acesso em: 14 jun. 2026.
WALKER, Charles. La rebelión de Tupac Amaru. Lima: IEP, 2015.
Videos:
PARA SABER MAIS:
CURIOSIDADEs
| O QUE SIGNIFICA ‘TUPAC AMARU’?
Em quéchua, a língua dos incas, ‘Tupac’ significa ‘nobre’ ou ‘brilhante’ e ‘Amaru’ é a serpente sagrada da cosmologia andina, símbolo de sabedoria e de renovação cíclica. Ao adotar esse nome, José Gabriel Condorcanqui afirmava sua legitimidade como herdeiro do Império Inca e anunciava uma renovação. O nome ressurgiu no século XX: o grupo guerrilheiro peruano Tupac Amaru (MRTA) e o cantor americano Tupac Shakur, cujos pais eram ativistas do Partido dos Panteras Negras, foram batizados em homenagem ao líder indígena. |
| A MITA E O FUTEBOL
A mita era o sistema de trabalho compulsório que obrigava os indígenas a dedicar parte do ano ao trabalho para a coroa espanhola, especialmente nas minas de prata de Potosí (atual Bolívia), que alimentavam o tesouro espanhol por séculos. Muitos trabalhadores morriam nas minas por intoxicação com mercúrio, usado no processamento da prata, ou nos desabamentos. A exploração desse trabalho forçado gerou as imensas desigualdades que marcaram as sociedades latino-americanas, e que a independência não resolveu. Quando você assiste a um jogo de futebol entre Argentina e Peru, ou entre Bolívia e Chile, está vendo países cujas fronteiras foram moldadas em parte por essa herança colonial que as independências do século XIX preservaram. |
| AS REFORMAS BOURBÔNICAS E O CHOCOLATE
O cacau, cultivado no México e na América Central pelos povos indígenas desde séculos antes da conquista, tornou-se um dos produtos mais valiosos do comércio colonial. As Reformas Bourbônicas afetaram diretamente o comércio do cacau: com a liberalização do comércio em 1778, produtores da Venezuela (que cultivavam cacau de alta qualidade) puderam vender para mais portos espanhóis. Mas os comerciantes crioulos venezuelanos também passaram a enfrentar mais concorrência. Esse conflito de interesses econômicos em torno do cacau foi um dos fatores que levou a elite criolla de Caracas a formar uma Junta em 1810. |

| Curiosidade: A Folha da Coca, o Trabalho na Mina e a Droga
Entre os produtos tributados pelas Reformas Bourbônicas estava a coca, planta sagrada para os povos andinos e fundamental para suportar o trabalho extenuante nas minas de altitude. A coroa espanhola, a princípio, proibiu o uso da coca por considerá-la ‘coisa do diabo’, mas depois percebeu que os trabalhadores indígenas produziam menos sem ela nas minas de altitude. A partir daí, o comércio de coca foi autorizado e taxado. Tupac Amaru II, em seus manifestos, denunciava o controle espanhol sobre o comércio da coca como parte da opressão colonial. A planta sagrada que movia a mineração
A folha da coca é uma planta sagrada para os povos andinos há mais de 4.000 anos. Utilizada por civilizações como os Incas e Tiwanaku, a coca tinha (e ainda tem) usos cerimoniais, medicinais e sociais. Ela era (e é) mastigada (acullico) para combater a fome, a sede, o cansaço e o mal da altitude, além de ser oferecida à Pachamama (Mãe Terra) em rituais .
O “combustível” dos trabalhadores da mita
Quando os espanhóis assumiram o controle das minas de prata de Potosí, eles encontraram nos indígenas uma resistência: eles se recusavam a trabalhar se não tivessem folhas de coca . O trabalho na mina era tão exaustivo que a coca se tornou uma questão de vida ou morte. Os trabalhadores gastavam parte significativa de seu salário na compra das folhas, que agiam como um “combustível” para suportar as condições desumanas. Os donos das minas e a própria Coroa Espanhola perceberam rapidamente que, sem coca, não havia produção de prata. Assim, mesmo com as tentativas da Igreja de proibir o uso por considerá-lo pagão, o interesse econômico falou mais alto, e o cultivo foi amplamente permitido e regulamentado para abastecer os trabalhadores forçados .
A diferença crucial entre a Folha e a Droga
A grande confusão histórica aconteceu no século XX. A folha de coca natural contém cerca de 0,1% a 0,7% de cocaína, uma quantidade muito baixa . Quando mastigada, a absorção pelo estômago é lenta, agindo mais como um estimulante suave (similar ao café forte) para combater o cansaço e a fome, sem causar os efeitos viciantes ou a alteração mental associados à droga .
Já a cocaína é uma droga produzida em laboratório. Para obtê-la, é necessário um processo químico industrial que concentra e refina essa substância presente na folha. É como comparar um grão de café com uma cápsula de cafeína pura. Infelizmente, em 1961, a ONU classificou a folha da coca na mesma categoria da cocaína, o que gerou um preconceito mundial contra uma prática milenar e criou um grande dilema para as comunidades andinas que utilizam a planta tradicionalmente |
- ATIVIDADES
- Múltipla Escolha
A1.
As Reformas Bourbônicas do século XVIII, implementadas pela coroa espanhola em suas colônias americanas, tinham como objetivo central:
(a) Estimular a industrialização das colônias para reduzir a dependência da metrópole espanhola.
(b) Fortalecer o poder da Igreja Católica e dos missionários nas regiões de fronteira.
(c) Abolir o sistema de castas e promover igualdade social nas colônias.
(d) Conceder autonomia política às elites crioulas para que administrassem as colônias de forma independente.
(e) Modernizar a administração colonial, aumentar a arrecadação fiscal e centralizar o controle metropolitano.
A2.
A rebelião liderada por Tupac Amaru II (1780-1781) no Peru é considerada um antecedente fundamental das independências hispano-americanas porque:
(a) Foi a primeira a proclamar formalmente a independência de uma colônia espanhola nas Américas.
(b) Expôs as contradições sociais da ordem colonial e produziu um medo duradouro de revoltas populares entre as elites crioulas.
(c) Contou com o apoio direto da França iluminista e de Napoleão Bonaparte.
(d) Resultou na abolição imediata da mita e do trabalho forçado indígena no Vice-reinado do Peru.
(e) Foi liderada exclusivamente por crioulos proprietários de terra insatisfeitos com os impostos metropolitanos.
A3.
A invasão napoleônica da Península Ibérica em 1808 criou uma crise de legitimidade que acelerou os processos independentistas nas colônias espanholas. Essa crise se deveu principalmente porque:
(a) Napoleão aboliu o direito espanhol e impôs o Código Civil francês nas colônias americanas.
(b) As colônias aproveitaram a oportunidade para negociar diretamente com a Inglaterra sua independência.
(c) A ausência de um rei legítimo abriu a questão sobre onde residia a soberania, levando à formação das Juntas.
(d) Os peninsulares nas Américas abandonaram seus postos e retornaram à Espanha para defender a monarquia.
(e) Napoleão ofereceu a independência a todas as colônias espanholas em troca de neutralidade no conflito europeu.
A4.
Na sociedade colonial hispano-americana, os ‘chapetones’ ou ‘peninsulares’ ocupavam posição privilegiada em relação aos crioulos porque:
(a) Eram mais numerosos e controlavam a maior parte das terras agrícolas das colônias.
(b) A coroa espanhola reservava a eles os cargos mais altos do governo, do Exército e da Igreja por terem nascido na Espanha.
(c) Tinham maior nível educacional, pois as universidades coloniais eram proibidas para os crioulos.
(d) Representavam os interesses dos comerciantes e industriais espanhóis, que financiavam a administração colonial.
(e) Eram considerados etnicamente superiores por não terem miscigenação com populações indígenas.
- Questões Discursivas
B1.
Explique por que as Reformas Bourbônicas, ao mesmo tempo que modernizavam a administração colonial, alimentaram o descontentamento que levaria às independências. Cite ao menos dois grupos sociais afetados e como cada um foi prejudicado.
B2.
Por que a rebelião de Tupac Amaru II assustou as elites crioulas, mesmo que estas também fossem contra o domínio espanhol? Que tipo de sociedade Tupac Amaru II propunha e por que isso era ameaçador para os proprietários de terra crioulos?
B3.
Descreva a crise de 1808 causada pela invasão napoleônica. O que significa dizer que houve uma ‘crise de legitimidade’? Como as Juntas Governativas foram uma resposta a essa crise?
B4.
O historiador François-Xavier Guerra argumenta que as independências hispano-americanas foram antes uma ‘crise da monarquia hispânica’ do que um projeto de independência nacional elaborado com antecedência. Com base no que você estudou, o que isso quer dizer? Você concorda com essa interpretação?
- Questões de Concurso
C1. (PUC PR – 2021)
Em 1781, Túpac Amaru sitiou Cuzco. Este cacique mestiço, descendente direto dos imperadores incas, encabeçou o movimento messiânico e revolucionário de maior envergadura. A grande rebelião explodiu na província de Tinta. Montado em seu cavalo branco. Túpac Amaru entrou na praça de Tungasuca e, ao som de flautas e tambores, anunciou que condenara à forca o corregedor real Antonio Juan de Arriaga, e determinou a proibição da mita em Potosí.
(GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Porto Alegre: L&PM, 2015, p. 72.)
Sobre a colonização espanhola na América e a revolta de Túpac, assinale a alternativa CORRETA.
- A exploração de várias regiões pelos colonizadores se deu a partir da mineração que desorganizou o cultivo de alimentos como milho e feijão e a Revolta de Túpac buscava colocar os indígenas novamente como protagonistas de suas histórias a partir de uma organização social anticolonial e similar a praticada pelos Incas.
- Os colonialistas impuseram diversos impostos e obrigavam os nativos a trabalhar na mineração, fato que contribuiu para o fim da sociedade igualitária dos antigos incas. Nesse contexto, Túpac buscou reestabelecer o modo de vinda anterior à colonização espanhola.
(c) Desde a chegada dos espanhóis, houve uma completa desorganização das sociedades nativas, a ascensão da propriedade privada levou a diversas disputas entre índios e espanhóis pelo acesso e a posse da terra, elemento que motivou a revolta de Túpac.
(d) Na América espanhola, houve um predomínio da escravização de africanos, sendo eles a principal mão-de-obra das minas. Por causa disso, quando Tinta foi tomada por Túpac, sua primeira ação foi libertar os escravizados negros e indígenas e proclamar independência da Espanha.
(e) A colonização espanhola na América foi mais lucrativa que a portuguesa, pois rapidamente os espanhóis encontraram ouro e prata em seus territórios explorando a população local e a utilização da mão-de-obra nativa trouxe um intenso sentimento de revolta, que pode ser observado na Revolta de Túpac, que tentou proclamar a independência das colônias espanholas na América.
C2. (UFRGS – 2012) Considere as seguintes afirmações relativas a crise da monarquia espanhola, no período de 1808 a 1814.
Sobre esse período, é correto afirmar que
– A formação da Junta de Cádiz, em 1812, culminou na elaboração do projeto constitucional, o qual contou com a colaboração de representantes de todos os territórios hispânicos.
– A Constituição Liberal de 1812 não contemplou a união de todos os territórios da monarquia, restringindo a apenas alguns deles a concessão de direitos civis e políticos.
III. – A independência dos domínios hispanoamericanos foi uma consequência do ímpeto recolonizador de Fernando VII.
Quais estão corretas?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
- GABARITO
Questões de múltipla escolha (A) e de concurso (C). As discursivas (B) não têm gabarito único.
| QUESTÃO |
RESP. |
JUSTIFICATIVA |
| A1 |
E |
As Reformas Bourbônicas buscavam centralizar a administração, aumentar impostos e racionalizar a extração colonial. Ao privilegiar peninsulares e aumentar a pressão fiscal, irritaram crioulos, comerciantes e populações indígenas ao mesmo tempo. |
| A2 |
B |
A rebelião mobilizou indígenas, mestiços e negros escravizados com agravos sociais profundos. Para os crioulos, esse caráter de revolta social era aterrorizante: uma independência que incluísse as massas poderia destruir a ordem social que os beneficiava. |
| A3 |
C |
Com o rei Fernando VII preso por Napoleão, a questão de onde residia a soberania tornou-se central. A resposta das juntas foi que ela retornava ao povo até que um governo legítimo fosse restabelecido. |
| A4 |
B |
Os brancos nascidos na Espanha possuiam privilégios em relação aos nascidos na América. |
| C1 |
A |
A mineração desorganizou a produção de alimentos e impôs o trabalho forçado (mita). A revolta de Túpac Amaru II buscava restaurar o poder indígena e uma organização social inspirada no modelo inca e anticolonial. |
| C2 |
C |
A afirmativa I está correta (as Cortes de Cádiz tiveram representantes americanos). A afirmativa II é falsa (a Constituição de 1812 unificou formalmente todos os territórios hispânicos). A afirmativa III está correta (o autoritarismo recolonizador de Fernando VII acelerou as independências). |
- ATIVIDADES PARA O CADERNO
| PIRÂMIDE SOCIAL COLONIAL
Desenhe e explique a pirâmide social da América espanhola em 1800. Coloque cada grupo no nível correto e descreva suas condições de vida. |
MAPA DAS JUNTAS (1809–1810)
Em um mapa mudo da América do Sul e do Caribe, marque as cidades onde se formaram Juntas Governativas entre 1809 e 1810. Que padrão você observa? |
| LINHA DO TEMPO DAS REFORMAS
Monte uma linha do tempo das principais Reformas Bourbônicas de 1713 a 1808. Para cada medida, indique quem foi prejudicado. |
CARTA DE TUPAC AMARU II
Escreva uma carta de Tupac Amaru II para os crioulos de Lima explicando por que ele se rebelou e pedindo apoio. Use informações reais do texto. |
| DEBATE: INDEPENDÊNCIA SIM OU NÃO?
Imagine-se como um crioulo rico em 1808. Escreva um texto argumentando se você apoia ou se opõe à independência, usando argumentos históricos concretos. |
GLOSSÁRIO DO PERÍODO
Monte um glossário com as palavras: chapetone, crioulo, curaca, mita, cabildo, junta, vice-reinado. Defina cada uma com suas próprias palavras. |
Power point
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